Ser verde em fotografia

A urgência está na vocação da imagem. Convertemo-nos, depressa de mais, em produtores de imagens. Mas ninguém nos instruiu sobre a gramática e a sintaxe da mesma.

A frase é de Juan Fontcuberta, autor e fotógrafo catalão, e surge, em entrevista recente, quando indagado sobre qual o debate que se torna necessário fazer face à superabundância da produção fotográfica que se verifica nos dias de hoje1.

As consequências que Fontcuberta prevê como resultado do desequilíbrio que denuncia têm um alcance mais profundo do que a frase, retirada do contexto, deixa supor. Mas aproveitando o mote, e não deixando de recomendar a leitura da entrevista em questão, reflitamos brevemente sobre o lado mais pedestre do assunto: que atitudes podem ser tomadas no contexto acima descrito, em particular pelos aficionados da fotografia, para equilibrar a balança?

A que mais facilmente ocorre é a de, simplesmente, parar. Parar para pensar, para ver o que já foi feito, para entender porque e como foi feito. Não só para não reinventar a roda mas também para sentir de que roda precisa o mundo hoje em dia. Olhar o mundo sem a urgência de carregar no botão: eis um exercício a considerar.

Independentemente disto, qualquer fotógrafo tem de exercitar-se, experimentar, aprender com os seus erros. Certamente. Mas poderá sempre exercer mais ponderação no ato que Gerard Castello Lopes considerava como o derradeiro no processo fotográfico: a decisão de publicar ou não a foto. E desta atitude verde poderá beneficiar o ambiente visual em que todos temos de viver.

1. BARREIROS, Maria Paula – Jornal Público (edição online), 20/06/2014, http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/joan-fontcuberta-quer-fazer-de-nos-animais-politicos-1659517

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